O Circuito Goitacá de Economia Solidária, projeto de
extensão universitária da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares (ITEP)
da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX) da Universidade
Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), foi realizado nos dias 15 e
16 de maio de 2013, das 18 às 21 horas, na Universidade Cândido Mendes (UCAM), em
Campos-RJ, com exposição e comercialização de produtos da Economia Solidária.
- O movimento foi muito bom. Tivemos o convite para
retornarmos mensalmente na data de pagamento da universidade, entre os dias 5 e
7. Gostaram muito da nossa arrumação. Estamos nos padronizando. Todos de toalhas
brancas. Queremos agradecer o apoio da ITEP/PROEX/UENF – disse Enilza Ribeiro
Gomes, representante das artesãs no Fórum de Economia Solidária de Campos.
A aluna de Ciências Contábeis da UCAM, Silvana da Silva, 39
anos, falou que achou muito boa a ideia de aproveitar o espaço dos corredores
da universidade para realizar o Circuito Goitacá de Economia Solitária. “Muito
bom. Interessante. Diferente. O ideal é que aconteça mais vezes. Os produtos
estão com bastante qualidade”, afirmou Silvana.
"A insuspeita Fundação Gates divulgou interessante estudo sobre o controle dos preços dos alimentos pelos bancos, por intermédio dos fundos especulativos (hedge). Da mesma forma que os bancos atuam no mercado derivativo com asprimes do mercado imobiliário, fazem-no com os estoques de alimentos, o que aumenta espantosamente os preços da comida, sem que os produtores se beneficiem. Um exemplo, citado pelo estudo, que tem o título sugestivo dePeople die from hunger while banks make a killing on food — as pessoas morrem de fome, enquanto os bancos se enriquecem de repente, especulando com os alimentos.
Como exemplo, o estudo cita o Fundo Armajaro, da Grã-Bretanha, que comprou 240 mil toneladas de cacau (7% da produção mundial) e as reteve até obter o maior preço da mercadoria nos últimos 33 anos. “Os preços do trigo, do milho e do arroz têm subido significativamente, mas isso nada tem a ver com os níveis de estoque ou das colheitas e, sim, com os traders, que controlam as informações e especulam no mercado” — conforme Olivier de Schutter, relator das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação. Os neoliberais sempre usam o argumento canalha de que o único caminho rumo ao enriquecimento geral e à igualdade é a do mercado sem nenhum controle do Estado, dentro da fórmula de Mme. Thatcher: o pobre que quiser viver melhor, que se vire. A senhora Francine Mestrum, em seu estudo, contradiz a falácia: “Em primeiro lugar, a transferência direta de recursos, que Lula iniciou no Brasil, provou ser efetiva ajuda direta aos extremamente pobres para irem adiante, em busca de empregos; ou para criarem seu próprio emprego; para melhorarem os padrões de saúde e reduzir o trabalho infantil. Este é o principal argumento para o desenvolvimento desses sistemas, e o próprio Banco Mundial os endossa”.
Como sabemos, são vários os países em desenvolvimento que adotaram iniciativas semelhantes. Enquanto a Alemanha obriga os países europeus a cortarem até o osso seus orçamentos sociais — deixando como saldo o aumento espantoso do número de suicídios ou das pessoas mortas por falta de assistência médica do Estado e, a cada dia, mais trabalhadores obrigados a buscar, na lata de lixo, o que comer — os bancos continuam acumulando, e de forma criminosa, dinheiro e poder como nunca. O HSBC mundial, que ganhou do governo FHC o Banco Bamerindus, e que tem no Brasil o seu terceiro mercado mais lucrativo do mundo, teve que pagar quase 2 bilhões de dólares de multa, em acordo feito com o governo norte-americano, por ter, comprovadamente, lavado dinheiro do tráfico de drogas. Como se sabe, mesmo depois de ter pedido desculpas públicas pelo crime, o HSBC foi acusado, em março deste ano, de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e remessa ilegal de recursos ao exterior pelas autoridades do governo argentino. Enquanto menos de um por cento dos seres humanos controlar, mediante sua riqueza, toda a população do mundo, a igualdade irá sendo empurrada cada vez mais para o futuro, e serão considerados nutridos os que ganharem cinco reais ao dia.
Em 1973, quando o Muro de Berlim ainda dividia o mundo em dois blocos econômicos e políticos, o então presidente do Banco Mundial, Robert McNamara, disse que todas as nações deviam esforçar-se para acabar com a pobreza absoluta — que só existia nos países subdesenvolvidos — antes do novo milênio. Naquele momento os países ocidentais ainda davam alguma importância à política de bem-estar social, não só como um alento à esperança de paz dos povos mas, também, como uma espécie de dique de contenção contra o avanço do socialismo nos países do Terceiro Mundo. A Guerra do Vietnã, com seu resultado desastroso para os Estados Unidos, levou Washington a simular sua boa vontade para com os povos pobres. Daí o pronunciamento de McNamara.
O novo milênio não trouxe o fim da miséria absoluta, embora tivesse havido sensível redução — mais em consequência do desenvolvimento tecnológico, com o aumento da produtividade de alimentos e bens de consumo primário, do que pela vontade política dos governos.
Na passagem do século, marcada pelo desabamento das Torres Gêmeas, o FMI, o Banco Mundial — e a própria ONU — reduziram suas expectativas, prevendo, para 2015, a redução da pobreza absoluta à metade dos índices registrados em 1990. Em termos gerais, essa meta foi atingida cinco anos antes, em 2010. A extrema pobreza, que atingia 41,7% da população mundial em 90, caiu para 22% em 2008 — graças à fantástica contribuição da China e da Índia, conforme adverte Francine Mestrum, socióloga belga, em recente estudo sobre o tema.
Por outro lado, o número absoluto de pobres na África Negra dobrou no mesmo período. A China que, pelo número dos beneficiados, puxou o trem contra a desigualdade, já chegou a um ponto de saturação. Com o seu crescimento reduzido, como se espera, a China levará muitos decênios para baixar o número de seus pobres absolutos à metade.
Considera-se alguém absolutamente pobre quando tem a renda per capita inferior a US$ 1,25 por dia: mais ou menos R$ 2,50, ou seja, 75 reais ao mês. Esse critério é, no mínimo, cínico. É possível viver com esse dinheiro? Há quem possa: os trabalhadores das multinacionais nas tecelagens e confecções de Bangladesh e de outros países da Ásia do Sul não chegam a ganhar cinco reais ao dia.
O governo de Bangladesh, em seu portal, declara ser o país “de portas abertas“ (open door), com todas as garantias e vantagens legais aos investidores, principalmente nas zonas especiais de produção para exportação (Export processing zones). Em Bangladesh a privatização de empresas públicas chegou à perfeição, e a miséria dos trabalhadores, também — conforme a meta do neoliberalismo.
Só há uma saída para o impasse: a mobilização política dos cidadãos de cada país do mundo, em uma organização partidária e ideológica nítida em seus princípios e objetivos e em sua ação coerente, a fim de colocar coleiras nos banqueiros. E será sempre salutar ver um banqueiro na cadeia, como está ocorrendo, menos do que é necessário, nos Estados Unidos."
A Espanha comemora neste sábado (11) o Dia do Comércio Justo
e Solidário. Na capital Madri, ao meio-dia (7 horas da manhã de Brasília), haverá a
leitura de um manifesto por uma representante de uma ONG que trabalha com
comércio justo e solidário.
A campanha este ano tem o lema “Para adoçar a vida, não é
preciso amargar ninguém”! O açúcar foi escolhido como produto oficial do Dia do
Comércio Justo e Solidário. Na Espanha, o açúcar gera 70 milhões de euros ao
ano para os seus produtores.
O Comércio Justo e Solidário é uma alternativa comercial que
tem o objetivo de lutar contra a pobreza. Os trabalhadores recebem um salário
adequado, não existe exploração infantil e os processos de produção respeitam o
meio-ambiente.
O Circuito Goitacá de Economia Solidária, projeto de extensão universitária da ITEP, está de volta ao prédio P-5 da UENF. Nesta terça-feira (7), oito grupos expuseram seus produtos para comercialização no prédio onde fica a agência bancária da UENF e onde é realizada a Feirinha da Roça. O movimento foi proveitoso. O Circuito Goitacá de Economia Solidária é realizado no P-5 todas as terças-feiras, com vários grupos comercializando uma grande quantidade de produtos da Economia Solidária.
A artesã Rutiléia Rosa disse que no P-5 o movimento sempre foi bom para ela. “Eu gosto muito daqui. Prá mim aqui sempre deu certinho, mesmo que sendo pouco. Faço muitos contatos e recebo muitas encomendas para aniversário, por exemplo”, falou ela que trabalha com materiais reaproveitados, como potes de margarina.
Uma das artesãs que mais vende no circuito, Uima Ribeiro, que comercializa bijuterias, afirma também que o movimento no P-5 é melhor. “Aqui em termo de movimento é melhor. O bom da Área de Convivência é que lá dava para deixar a mercadoria. É uma coisa a se trabalhar”, acredita Uima.
A estudante do mestrado em Engenharia de Produção, Altira Silva Oliveira, de 30 anos, sempre compra bijuterias com Uima. Ela adora pulseiras e nesta terça ela levou mais três. “Eu gosto muito do circuito. Já comprei muitas coisas aqui. O trabalho é bonito e bem feito”, considerou.
O economista Paul Singer avalia que os desafios enfrentados pela economia solidária atualmente são permanentes, de capital, e estruturais. “As cooperativas são pobres e não têm capital próprio e precisam de crédito até que possam gerar sua própria renda.”, disse, em entrevista após palestra que teve como tema “Sindicalismo e Economia Solidária”, realizada no dia 26 de abril, na Escola de Ciências do Trabalho do Dieese, em São Paulo.
Singer está à frente da Secretaria Nacional de Economia Solidária - ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) -, que existe desde 2003 e tem o objetivo de fomentar atividades de apoio à economia solidária. “Estamos desenvolvendo um sistema de finanças solidárias sobre a forma de cooperativas de crédito, e fundos rotativos, que são grupos de famílias que juntam sua poupança para investir em economia solidária e em bancos comunitários”, contou.
Os bancos comunitários são associativos e de propriedade das comunidades de determinados municípios, e também são responsáveis por sua gestão, voltados para a geração de renda que promova a economia solidária. Enquadram-se neste ramo da economia solidária atividades organizadas sob a forma de autogestão, que procura a valorização da ação humana conjunta. A economia solidária nasceu como resposta ao capitalismo industrial, que se firmou como modo de produção hegemônico depois da Revolução Industrial do século 18, e implica reversão da lógica capitalista de exploração da mão de obra e dos recursos naturais, explica o professor.
“A economia solidária é resultado do desespero dos trabalhadores que foram arruinados pelas inovações técnicas da Revolução Industrial. As pessoas estavam desempregadas. Juntas, suas chances eram maiores. A economia solidária foi o modo de sobrevivência encontrado por elas.” Segundo Singer, há 103 bancos comunitários no país, que “irão se multiplicar”.
O sistema de produção agrícola dos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por meio da agricultura camponesa familiar – que produz alimentos livres de agrotóxicos – e a experiência de 67 empresas do país recuperadas da falência e assumidas por trabalhadores de forma autogestionária são apontadas como experiências concretas de funcionamento exitoso da economia solidária pelo professor.
“Com o cooperativismo resolvemos a questão imposta pela Revolução Industrial, que colocava os trabalhadores para lidar com meios de produção que não eram seus”, explica. A democratização econômica que se dá com a economia solidária, de acordo com Singer, segue na lógica de que o capital é propriedade coletiva de quem lida com ele.
“Com a recuperação de massas falidas há um ganho enorme para toda a sociedade, e os trabalhadores passam a ser donos de seus próprios destinos, eles são emancipados.” A revolução é hoje “A revolução industrial não acabou, vivemos ela hoje.” Para Singer, a “3ª Revolução Industrial” pela qual passa a sociedade contemporânea é caracterizada pelo uso cada vez mais frequente de computadores em atividades econômicas.
“Na robótica, principalmente, o computador foi a ruína de trabalhadores de todo o mundo.” O movimento operário e o sindicalismo foram lembrados por ele como uma reação à invenção de máquinas de energia hidráulica e a vapor no século 18 e 19. “Quem pagou o pato foi o trabalhador. É claro que houve reação, então, surge o movimento operário. A associação de trabalhadores, os sindicatos, nascem junto com o capitalismo industrial.”
A economia solidária e o sindicalismo têm suas origens na reação dos trabalhadores às precárias condições de trabalho impostas pelo capitalismo industrial, frisou Singer. “O sindicalismo e a economia solidária são irmãos. A economia solidária, o sindicalismo e a democracia são os grandes caminhos para que a felicidade seja um direito humano.”